Resumo do artigo:

Desligar o Wi-Fi não é air gap. Este texto mostra a diferença entre uma carteira em "modo avião" e uma que nunca troca dados com o computador, e como o PSBT permite assinar uma transação só com QR code.

Segurança Bitcoin: do modo avião à autocustódia

Carteira compatível com Krux, sem Wi-Fi e sem Bluetooth

Em 2020, a Ledger vazou nome, telefone e endereço de 270 mil clientes. O vazamento não tocou em nenhuma chave, e mesmo assim mudou o que muita gente entende por "carteira segura". A primeira preocupação de quem começa é não perder as moedas. A segunda, que chega com o tempo, é entender de onde vem o risco: como proteger seu Bitcoin de verdade? Muita gente acredita que basta desconectar a carteira da internet para garantir segurança, mas a realidade é mais complexa.

As primeiras carteiras digitais (aplicativos de celular) trouxeram praticidade, mas também abriram portas para ataques virtuais. Hackers, vírus e brechas de segurança passaram a ameaçar até quem achava que estava protegido. Foi então que surgiram as “carteiras offline”, prometendo segurança ao manter as chaves privadas (as senhas que dão acesso ao seu Bitcoin) longe da internet.

No entanto, com o tempo, ficou claro que nem todas essas carteiras eram realmente isoladas. Muitas ainda reconhecem Wi-Fi, aceitam conexão por cabo ou dependem de atualizações físicas. Ou seja, estavam apenas no “modo avião”, mas continuavam vulneráveis a ataques sofisticados.

Carteira com firmware Krux lendo QR code

A necessidade de uma solução de fato offline levou a firmwares como o Krux. Ele roda em aparelhos sem Wi-Fi, sem Bluetooth e sem NFC: a porta USB serve para energia e para gravar o firmware, não para trocar dados com o computador na hora de assinar. Toda a comunicação acontece por QR code, uma ponte visual entre o mundo online e o offline.

Mas como movimentar seus bitcoins sem expor informações sensíveis? É aí que entra o tal do PSBT (Partially Signed Bitcoin Transaction, ou Transação Bitcoin Parcialmente Assinada).

Parte importante: Com essa tecnologia, o envio de bitcoins é dividido em etapas seguras: você monta a transação no computador conectado, gera um QR code, escaneia esse código na Krux (offline), e ela assina a transação sem nunca expor sua seed (as 12 ou 24 palavras de onde saem as suas chaves). Depois, um novo QR code é gerado, escaneado de volta no computador, e só então a transação é enviada para a rede. Assim, sua chave privada nunca sai do ambiente seguro.

Assinatura de PSBT por QR code na tela da Krux

Exemplo de uma assinatura PSBT com o QR Code.

Essa evolução representa um novo patamar de autocustódia. Não se trata apenas de desconectar, mas de tirar do caminho os canais de dados por onde uma chave vaza. Com Krux e PSBT, a chave que assina nunca encosta num aparelho conectado. Quem decide quando e como movimentar os seus bitcoins é quem está com o dispositivo e com o backup na mão.

Adotar esse padrão de segurança não é exagero, é necessidade. Em um mundo onde a liberdade financeira depende de boas práticas digitais, estar um passo à frente faz toda a diferença.

O melhor de tudo é que aprender sobre essas soluções está cada vez mais acessível. O universo da autocustódia evolui rápido, mas você não precisa aprender sozinho. Assine a newsletter da DSEC Labs para acompanhar novidades, tutoriais e dicas de quem entende do assunto.

COLDKIT da DSEC Labs: carteira Krux offline e placas de aço para o backup

COLDKIT: carteira Krux sem Wi-Fi, sem Bluetooth e sem NFC.

Próximo passo

Se a sua carteira tem Wi-Fi ou Bluetooth, mesmo desligados, trate-a como carteira quente. A próxima transação que você assinar pode ser a primeira por QR code.

Não confie. Faça você mesmo.

DSEC Labs. A Fortaleza da Soberania Digital.

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